| Palavra do Reitor 
Discurso em Pindaré Mirim: Título de cidadão pindareense
Em 04/05/2012
Excelentíssimo Senhor Prefeito Henrique Salgado,
Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal, Vereador Aldemir Lopes Fonseca, demais vereadores, secretários municipais, autoridades aqui presentes,
Senhoras,
Senhores.
É com sentimento de alegria e gratidão que hoje me encontro em Pindaré-Mirim, que, de todas as cidades do Maranhão – Estado de tanta diversidade cultural –, carrega, pode-se dizer, a essência da alma do povo maranhense, representado pelo seu tão afamado Boi de Pindaré, cujas melodias enchem de alegria tanta gente, especialmente nas festividades juninas. Preservar este legado é uma arte que deve ser valorizada, pois uma expressão cultural nada mais é que nossa história cantada e vivenciada em sua forma mais alegre e festiva.
Ao ser alçado pela distinção que a Casa do Povo de Pindaré-Mirim hoje me concede – que é a de me tornar também filho desta terra –, estou a partir de hoje irmanado com outros homens e mulheres bravos e valentes, o que enche de orgulho e responsabilidade o meu coração. Gente trabalhadora que, como diz seu hino, regou com suor este chão, fecundando-o de vida desde o final do século XIX, quando aqui chegaram seu primeiros moradores, os quais deixaram suas marcas, como se pode ver neste monumento ao espírito aguerrido daqueles pioneiros, cujo símbolo é o Engenho Central.
Desde o ápice da navegação, nos idos dos anos 70, no rio Pindaré até à efervescência dos afazeres em torno da rodovia, da Avenida Presidente Getúlio Vargas e da Rua Elias Haickel, tudo nesta cidade inspira um legado de coragem e disposição, que convivem em equilíbrio com a tranquilidade e a hospitalidade de seu povo. A paisagem natural de trechos de rios para banhos e a belíssima vegetação da Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense, que cobre 28% do território municipal, revelam que Pindaré-Mirim é uma cidade única.
Talvez aqui muitos não saibam, mas sou filho originalmente de Cururupu, e minha ligação com Pindaré se deu através do meu irmão, o prefeito Henrique Salgado, que veio até aqui como resultado da paixão por Aparecida, filha do nosso nobre Manoel Pezão, liderança política que todos conheceram. Aqui ele se casou, construiu sua família, laços de amizade, e seu trabalho o credenciou a gerir os destinos deste município. Lembro-me de que, numa das primeiras oportunidades que tive de me dirigir ao povo de Pindaré, pedi voto para meu irmão que, na ocasião, era candidato a prefeito. Disse que, se ele não construísse o hospital da cidade, nunca mais votassem nele. Não o fiz porque queria impressionar, mas porque falo naquilo em que acredito. O resultado é que o Hospital foi inaugurado, e ele foi reeleito.
O poeta Carlos Drummond de Andrade disse que preparava uma canção que fizesse acordar os homens e adormecer as crianças. Eu não fiz canções ou poesias, mas procurei colocar à disposição da sociedade minha vontade de servir à causa pública. O maior exemplo recebi, em casa, do meu próprio pai, que se aposentou como Auditor da Receita Federal, com uma trajetória ímpar de seriedade no trato com o bem comum, e que fez questão de repassar aos seus 8 filhos preciosas lições de ética, respeito ao próximo e valores cristãos.
“O sonho que se sonha só é apenas sonho, mas o sonho que se sonha junto vira realidade”, já dizia Raul Seixas. E, como nenhuma vitória se consegue sozinho, sei reconhecer que devo a Deus e à minha família, por quem nutro a mais sincera gratidão, por todas as conquistas alcançadas. Também devo o lugar onde hoje estou à dedicação que desde cedo ofereci aos estudos e ao processo do conhecimento. Desde que me formei em Medicina, fiz a opção de trabalhar no serviço público. Dediquei tempo para diversas especializações, mestrado e doutorado, além da participação em cursos, simpósios, jornadas e também para a produção de artigos e textos científicos, sempre na intenção de colaborar com o meu aprendizado na formação de outros. Assim, quando fui chamado para assumir o desafio de dirigir o maior hospital do Maranhão – o Hospital Universitário Presidente Dutra –, aceitei, amparado pela minha trajetória, e em especial pela soberana mão de Deus, pela compreensão e pelo carinho de minha família, minha esposa e meus filhos e também por aqueles que acreditavam na missão que abracei. O trabalho que lá desenvolvi até hoje rende bons frutos e tenho certeza, como disse Rubem Alves, de que os grãos que lá plantei serviram de sombra e alimento para milhares de maranhenses que ali vão em busca de um atendimento médico de qualidade.
Quando fui chamado ao desafio de ser reitor da Universidade Federal do Maranhão, também priorizei a educação em todas as suas vertentes, e a interiorização foi alvo de especial atenção em nossas gestões. Por isso mesmo, quero destacar o que está sendo realizado mediante a formação de pessoas qualificadas que farão diferença no desenvolvimento desta cidade e região. Nessa direção, a Universidade Federal do Maranhão, em parceria com a Universidade Holandesa de Wageninge, por meio do Programa Capes/Wageningen, desenvolve o projeto de pesquisa Bacia do Pindaré: ferramentas para conservação e manejo integrado dos recursos naturais, Maranhão, Brasil, coordenado pela professora Larissa Nascimento Barreto, do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFMA.
Também oferecemos ao Município o Programa de Formação de Professores para a Educação Básica – PROEB, com os cursos de licenciatura em Filosofia, Educação Física e Ciências Exatas (com habilitação em Química, Física e Matemática). Quero destacar, como forma de reconhecer o trabalho de todos os professores e técnicos envolvidos neste grande desafio, o trabalho da Assessora de Interiorização, professora Cenidalva Teixeira.
A Universidade que mais cresce com inovação e inclusão social assume desta forma seu papel no contexto da educação no nosso Estado e o compromisso em expandir com responsabilidade, proporcionando educação de qualidade. A educação, senhoras e senhores, é o caminho pelo qual necessariamente deve trilhar toda cidade, estado ou país que quer alcançar um nova dimensão e proporcionar um melhor legado para suas futuras gerações. Rubem Alves prega que a cultura forma sábios; a educação, homens. Anísio Teixeira, um dos maiores educadores brasileiros, afirma que o que aprendemos refaz e reorganiza nossa vida. E Paulo Freire, considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos, assevera que, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Precisamos valorizar, incentivar e estimular nossos jovens para que abracem a educação como forma de instrumento de transformação. Há muito a ser feito, mas se cada um de nós assumirmos essa tarefa, seja aqui em Pindaré, seja em qualquer outra parte do mundo, aos poucos conseguiremos transformar nossa realidade.
Permitam-me agora, senhoras e senhores, mais uma vez agradecer neste momento a iniciativa que partiu tanto dos edis que compõem esta Câmara Municipal como também dos professores e alunos que, de forma unânime, acordaram em convidar-me a ostentar o nobre título de cidadão desta terra. Acredito que ser acolhido como filho de uma cidade como Pindaré é uma enorme responsabilidade que me instiga a cultivar as admiráveis qualidades inerentes aos seus filhos. Dito isto, consolidarei ainda mais os meus compromissos com este torrão.
Ao lado de outros títulos de cidadania que recebi, como o de Codó, São Luís e de Grajaú, renova em mim a convicção de que estou no bom caminho na condução da Universidade Federal do Maranhão. Portanto, meus agora conterrâneos, esta cerimônia na qual sou agraciado com o título de cidadão pindaresense é um desses momentos em que somos tomados de boas lembranças e que nos dão a grata certeza de que uma trajetória de serviço e dedicação à comunidade nunca é em vão.
Como disse o poeta Mário Quintana, “o nosso lar é onde somos honrados”. Saberei honrar e merecer tão elevada distinção e, sobretudo, reconhecer a generosidade da sua gente. Não precisarei perguntar o que devo fazer para retribuir a amizade e a consideração dos pindareenses, pois o sentimento que, a partir de hoje nos irmana, me faz ter a certeza de que também bate no meu peito um coração pindareense.
Muito obrigado.
Histórias coincidentes de lutas e conquistas
Neste ano de 2012 serão comemoradas uma série de datas significativas para São Luís e para o Maranhão: ao mesmo tempo em que a capital festejará o seu quarto centenário em setembro, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Maranhão, completa oito décadas de uma história cheia de conquistas neste mês de abril. A Universidade Federal do Maranhão orgulha-se em participar dessa comemoração por ser ela mesma o berço da grande maioria de conceituados juristas que dela saíram e sairão para servir aos seus concidadãos na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática.
Coincidentemente, em abril de 1918, precisamente na manhã do dia 28 - numa iniciativa nobre de Fran Paxeco e Fernando Perdigão e numa assembleia que contou com a presença de diversos outros ilustres maranhenses – foi estabelecida a Faculdade de Direito, por meio de uma Associação, como nos lembra Sálvio Dino, autor de um dos mais destacados trabalhos que resgatam
a história do Curso de Direito no Maranhão (intitulado A Faculdade de Direito do Maranhão). O curso nascia em meio a um clima de profunda efervescência
cultural, e logo tornou possível aos jovens maranhenses a realização do sonho
de cursar Direito sem precisar se aventurar em outras terras.
O ano de 1918, prossegue Sálvio Dino, também foi marcado pela festa comemorativa dos cursos jurídicos no Brasil, em 11 de agosto, e somado a esse evento, o cinquentenário da vida literária de Rui Barbosa, motivos que ensejaram a realização de uma solenidade no então Teatro São Luís (hoje Teatro Arthur Azevedo). O Curso de Direito recebeu sua autorização pelo Decreto nº 17.558, de 10 de janeiro de 1945, e seu reconhecimento se deu através do Decreto nº 24.135, de 28 de novembro de 1947. Em 26 de outubro de 1966, precisamente pela Lei 5.152, a Faculdade de Direito foi integrada à Fundação Universidade do Maranhão.
O professor João Batista Ericeira, em artigo publicado na última quarta-feira, dia 25, no jornal O IMPARCIAL, com o título 80 anos da OAB-MA, também traçou um cenário político-cultural do surgimento do Curso de Direito da UFMA, apontando nomes importantes na construção dessa história.
Transcorridos 94 anos de fundação, o curso de Direito da UFMA alcançou sua própria dinâmica, e os resultados são excelentes: desde a formação de muitos profissionais que se destacaram não apenas no Maranhão, mas também nacionalmente nas mais diversas carreiras jurídicas, passando pela realização de eventos internacionais, jornadas, seminários e, como vitória mais recente, a aprovação pela CAPES do Mestrado acadêmico de Direito da UFMA, que somado aos demais, totalizam 26 mestrados oferecidos atualmente pela Instituição. Também está em franco progresso o processo de restauração e de requalificação do Fórum Universitário Fernando Perdigão, situado na Rua do Sol, no centro de São Luís, o qual está sendo reformado para atender aos princípios de preservação do patrimônio histórico, com adaptações e melhorias que vão permitir que o prédio abrigue os Cursos de Pós-Graduação de Direito da UFMA. O prédio faz parte de uma área de tombamento e abrigou, até 1976, a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Maranhão.
E como se tantos fatos positivos não bastassem, eis que no último dia 19, em Brasília, tivemos a alegria de ter os cursos de Direito dos Campi de São Luís e de Imperatriz entre os 89, que foram reconhecidos pela OAB nacional com o Selo de Certificação OAB 2011. Àquela solenidade, fizemo-nos presentes ao lado do coordenador do Curso de Direito de Imperatriz, Prof. Gabriel Araújo Leite, e dos professores José Agenor Dourado e José Carlos Sousa Silva, na qualidade de representantes do corpo docente, estando presentes também à solenidade o presidente da OAB, seccional maranhense, Dr. Mário Macieira, e o Juiz Federal Ney Bello, ambos pertencentes ao quadro de professores do Departamento de Direito da UFMA.
Acredito que mais esse reconhecimento seja resultado de uma série de investimentos da Instituição para garantir melhoria na qualificação do corpo docente e, como consequência, o aperfeiçoamento da qualidade de ensino na
graduação e pós-graduação. Nas palavras do presidente da OAB nacional, Dr. Ophir Cavalcante, a formação educacional deve transcender ao desejo de oferecer uma boa técnica profissional, pois o foco deve estar na formação de verdadeiros cidadãos, enfatizando o quanto a OAB leva a sério o desafio permanente de zelar pela qualidade do ensino aos cidadãos que vão fazer e administrar a Justiça em nosso país. Tal reconhecimento também alcançou a UNDB, instituição distinguida com a mesma honra naquela solenidade e representada pela sua diretora, Professora Ceres Murad.
Num país que hoje contabiliza 1.240 cursos de Direito em funcionamento, é uma honra para a Universidade Federal do Maranhão ser alcançada e distinguida com o reconhecimento da Ordem dos Advogados do
Brasil. Esta mesma Ordem, que tem na seccional maranhense uma guardiã dos valores mais caros da sociedade, em seu papel de defender os direitos humanos, de proclamar a justiça social, de dar voz e oportunidade a tantos quantos se sentem ameaçados e perseguidos.
De parabéns estão o Curso de Direito da UFMA, por legar ao Maranhão profissionais aptos para atuar nas mais diversas áreas da Justiça, e a OAB-MA, a segunda casa dos egressos desse curso, que abraçam a advocacia como um sacerdócio, uma missão de vida.
Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC
Publicado em O Estado do Maranhão em 29/04/2012.
Valorizar o passado para compreender o presente
Por uma dessas coincidências da vida sobre as quais muitas vezes não temos explicações, deparei-me recentemente com a descoberta do artigo de dom José Medeiros Delgado, intitulado A Cidade Universitária, publicado no Jornal do Maranhão, em 7 de agosto de 1960. A coincidência é o fato de que, em 29 de janeiro de 2012, publiquei, aqui mesmo em O Estado do Maranhão, um texto justamente intitulado Cultura Universitária x Cidade Universitária, no qual tratava do momento auspicioso que vive a Universidade Federal do Maranhão, renovada em seus ideais de bem servir a comunidade na qual está inserida, entendida hoje no conceito real de Cidade Universitária.
Quando da publicação de meu artigo, discorri sobre o aumento dos cursos de graduação, especialização, mestrados e doutorados; ainda sobre a política atuante de interiorização dos cursos em parceria com o governo do Estado e prefeituras, reconhecendo a vocação de cada região desse nosso grandioso Maranhão; o incremento nas obras físicas no Campus e nos Campi, bem como o crescente número de eventos, parcerias, projetos realizados e, com especial destaque para a 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, que será realizada de 22 a 27 de julho de 2012, em São Luís, como parte da programação dos 400 anos de fundação da cidade, que adotou como tema Ciência e Cultura: Saberes Tradicionais para enfrentar a pobreza.
Para aqueles que ainda não conhecem a figura emblemática de dom José Medeiros Delgado, trata-se de um homem visionário, apaixonado pelas letras e pelas ciências e que veio para cá em 1951, quando assumiu o Arcebispado e aqui ficou até 1963, quando foi transferido para Fortaleza. Dom Delgado figurou entre os mais importantes intelectuais da época que lutaram para que o Maranhão tivesse sua universidade. Muitos são os seus feitos e seu legado de dedicação e desvelo em prol do conhecimento. Para um reconhecimento ainda maior, informo que estamos trabalhando para resgatar essa história e assim prestar uma justa e merecida homenagem a pessoas que, como ele, abraçaram a causa do conhecimento e sonharam um dia em legar uma universidade às outras gerações.
Ao ler o artigo de dom Delgado, pude vislumbrar ecos proféticos, principalmente quando ele afirma que “A Cidade Universitária (...) terá de consumir uns 50 anos de trabalho. Alguns Arcebispos passarão pelo Maranhão. Isto a terceira geração, a contar d’agora, virá contemplá-la realizada”.
Em 2012, passados 52 anos de suas palavras, a profecia alcança seu real cumprimento, pois a Cidade Universitária é hoje uma feliz realidade para milhares de pessoas que um dia entraram por aquelas portas e saíram graduados, mestres, doutores e para aqueles que ainda estão trilhando esse caminho. E isso sem contar com diversas ações empreendidas para a melhoria e engradecimento da sociedade maranhense.
Dom Delgado, à sua época, também enfrentou diversas dificuldades e oposições, mas preferiu falar de fé e perseverança, numa lição que se sobrepõe a qualquer época ou geração, como ele mesmo destaca: “Para os Bispos, dignos dêste nome, o imediatismo não é a grande fôrça. A História os mede pela perseverança. Nenhum deles vive exclusivamente do presente, crescem alimentados pela esperança. O futuro instala-se dentro de seus corações, comunicando-lhes um poder que os descrentes desconhecerão e os sonhadores apenas vislumbram. É daí que vem a fôrça dos que não possuem armas materiais”.
Talvez dom Delgado sequer imaginasse como o sonho iria realizar-se ou qual seria sua exata dimensão. Ao falar de Cidade Universitária, apontava para algo que à época poderia ser entendido por um mero devaneio, mas que ele escolhera como missão de vida, sem contudo deixar de se questionar dos espinhos da árdua tarefa: “Quantos adubarão a terra com a ruina de corpos mortais até que tanto se faça? Quais os que morrerão espiritualmente durante a peleja? Quem escolherá imortalizar-se por feitos gloriosos na execução do magnífico projeto? Só Deus saberá responder a tais indagações (...) O filho de Deus deve sonhar inclusive com a Cidade Universitária”.
Com certeza inspirado pelo mandamento bíblico dos evangelhos que afirma que “Tudo é possível ao que crê”, dom Delgado estimulou gerações de homens e mulheres a atenderam ao chamado de construir a Cidade Universitária. Essa menção a esse episódio é importante, pois valorizar o passado também é uma forma de compreender o presente. O desafio de sonhar algo inovador nunca foi fácil e mais difícil ainda trabalhar na realização desse sonho, mas com determinação e coragem é possível transpor todos os obstáculos. Que a voz profética de dom Delgado nos inspire a continuar na busca da perfeição e que outras gerações não apenas conservem o que já conquistamos, mas trabalhem na evolução dessa conquista.
Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC
Publicado em O Estado do Maranhão em 08/04/2012
Compartilhar saberes, legar conhecimento
Viver é melhor que sonhar
(Belchior)
O ano de 2011 foi um marco para estudantes, profissionais e apaixonados por Comunicação, uma vez que naquele ano foi celebrado o centenário de Marshall McLuhan, autor de termos e expressões como aldeia global e o meio é a mensagem, tão propaladas e conhecidas que até viraram jargões. Mc Luhan foi um gênio que antecipou com seus estudos e pesquisas uma série de reflexões e situações que viriam a se confirmar décadas depois.
E é o espírito dessa proeza e ineditismo que certamente deve ter pautado a iniciativa do livro Comunicação, Jornalismo e fronteiras acadêmicas, assinado pelos professores do curso de Comunicação - Habilitação Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão em Imperatriz, reunindo diversos trabalhos inéditos e outros já apresentados em eventos da área, que revelam o esforço conjunto de homens e mulheres que se debruçaram sobre temas instigantes e apresentaram dados novos, propondo-se a formatar conceitos e refletir tendências, estimulando o debate saudável e a descoberta de novos paradigmas nesse que é um dos saberes que mais evoluíram nos últimos anos.
A escolha do tema para titular a obra também demonstra a sintonia do grupo de autores ao relacionar comunicação (uma necessidade inata do homem para exercer na plenitude a sua vida em comunidade, levando-o a inventar diversas alternativas comunicacionais), jornalismo (que como ensina Elias Machado, demanda uma formação específica que parta da realidade da prática em todas as suas dimensões, corroborando com o que Paulo Freire define como pedagogia da pergunta) e fronteiras acadêmicas (o que denota o intercâmbio de ideias e pessoas para resultar no fato de que o conhecimento é um bem público que pode ser utilizado por muitos indivíduos e nações).
O livro também tem o mérito de reunir comunicólogos que transitam em áreas de pesquisas aparentemente díspares, mas que na realidade convergem para uma bem estruturada tecitura de ideias mediante um relato dotado de um toque humanista, principalmente nos seus aspectos históricos e vivências particulares. Correria o risco de cometer injustiças ao destacar textos em detrimento de outros componentes da obra, mas adianto aos leitores para que mergulhem com prazer nas análises minuciosas e caprichadas de temas abordados como mídias sociais, discurso jornalístico, identidade, responsabilidade social, construção midiática, modernidade, discurso, semiótica, além de abordagens sobre casos particulares na história da comunicação no Brasil.
A Universidade Federal do Maranhão não apenas apoia como também incentiva ações como esta, fiel ao seu caráter de ser um ambiente inclusivo, propagador de inovação, pesquisa e extensão, com olhos voltados para o futuro ao mesmo tempo em que valoriza o passado. Estimular é também oportunizar ações concretas que possibilitem cenários propícios para o florescer de descobertas que venham dar visibilidade à nossa produção em todas as áreas.
A base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, preconiza Pierre Lèvy, para nos dizer do desapossamento da detenção do saber. Compartilhando seus saberes, os professores e pesquisadores revelam ainda o compromisso com o ambiente acadêmico que não esgota em si mesmo, mas que objetiva a evolução e aprimoramento da sociedade na qual estão inseridos.
Se queres ser universal, começa a pintar tua aldeia - pregou Tosltoi, um dos mais cultuados escritores russos. Relatando suas experiências a partir de Imperatriz, cantada de forma poética nos versos de Carlinhos Veloz, No Tocantins/ E os nobres filhos da princesa/ Frutos da mãe natureza/ cheios de beleza, estes professores e pesquisadores certamente inspirarão outros pelo mundo afora a trilhar caminho semelhante. Que outros se sintam estimulados a prosseguir nesta fantástica jornada do ser humano que é a construção do conhecimento.
Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC
Publicado em O Estado do Maranhão em 04/03/2012
Cultura Universitária x Cidade Universitária
De algum tempo para cá, um clima diferente tem tomado força na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É um clima que não tem a ver com o tempo chuvoso ou com o tempo ensolarado que, entre uma chuva e outra, aparece para nos lembrar de que estamos no Equador. Esse clima de que estou a falar é um clima diferente, simbólico, que mexe com a forma de ser e de estar de quem vivencia a Universidade como um locus próprio, uma cultura singular.
Este clima sugere uma cultura nova que vem surgindo aos poucos e tem a ver com vários fatores a que não estávamos acostumados. Um deles é um ambiente acadêmico renovado que inspira vontade de trabalhar, de ensinar, de pesquisar e de realizar atividades de extensão tanto pelas condições físicas, técnicas e operacionais como pela renovação tecnológica que todos os setores estão passando.
Um outro aspecto importante é a possibilidade dos alunos e professores prosseguirem os seus estudos aqui mesmo no Maranhão em várias áreas de conhecimento, sem o sacrifício de terem de ficar longe de suas famílias. Para além do aumento dos cursos de graduação, é cada vez maior o número de cursos de especialização, mestrados e doutorados oferecidos pela UFMA: próprios, interinstitucionais, presenciais ou à distância nas áreas tecnológicas, humanas e sociais. Este cenário representa um salto de qualidade porque a UFMA conseguiu garantir a sua patente de Universidade, já que antes corria o risco de ficar somente com o título de escola de terceiro grau.
Outro dado relevante desta nova cultura universitária é uma política atuante de interiorização dos cursos de graduação e pós-graduação que está sendo gerida em parceria com o governo do Estado e com as prefeituras. A UFMA já conta com os Campi de Bacabal, Codó, São Bernardo, Grajaú, Chapadinha e Pinheiro, com o Campus de Imperatriz e está implantando um Campus em Balsas. Todos os cursos que estão sendo implantados nessas regiões são precedidos por estudos de vocação, cujo objetivo é atender as necessidades de conhecimento/vocação destas áreas.
No campus do Bacanga, em São Luís, já chamado de Cidade Universitária, o clima então é de uma movimento sem tamanho. Obras para todos os lados, eventos locais, regionais, nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que empresários, gestores governamentais, turistas, pesquisadores e empreendedores de todas as áreas têm vindo à UFMA saber o que está causando tanta movimentação. A UFMA, aos 45 anos, está mais jovem a cada dia e, nessa renovação, tem deixado o seu papel passivo de lado e assumido um papel ativo, a partir de um trabalho de interação com a sociedade civil, isto é, a UFMA tem trabalhado cada vez mais para resolver os problemas da sociedade civil e esta tem procurado sempre mais a UFMA como fonte de reflexão qualificada e de produção de conhecimento privilegiado.
Na esteira dessa movimentação, podemos citar a realização da 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência - SBPC que será realizada de 22 a 27 de julho de 2012, em São Luís como parte da programação dos 400 anos de fundação da cidade. Com o tema Ciência e Cultura: Saberes Tradicionais para enfrentar a pobreza essa será a contribuição que a UFMA dará à cidade, refletindo com os melhores pesquisadores, alunos, professores e gestores do Maranhão, do Brasil e de outros países da América Latina como melhorar os indicadores sociais e aumentar a inclusão social.
Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC
Publicado em O Estado do Maranhão em 29/01/2012
A educação que movimenta o desenvolvimento
O ano de 2011 encerra com uma notícia que, aparentemente, parece muito alvissareira para o Brasil. O país ultrapassou a Grã Bretanha e é o 6º maior PIB do mundo, ou seja, a sexta maior riqueza do planeta. O PIB, como se sabe, é a soma de todos os bens e serviços produzidos por uma nação. Neste ano, o PIB nacional chegará a US$ 2,52 trilhões. A revelação foi feita pelo Centro de Pesquisas para Economia e Negócios (CEBR), sediado em Londres. À frente do Brasil estão França, Alemanha, Japão, China e Estados Unidos, o primeiro colocado.
O governo brasileiro, a julgar pela fala do ministro da Fazenda Guido Mantega, mostrou-se prudente e minimizou a questão com a declaração de que ainda levaremos de 10 a 20 anos para atingir o padrão de vida dos europeus e, sobretudo, dos britânicos. Eis o X da questão. Esta posição na lista de nações ricas não altera em nada o que mais interessa a um país, que é a qualidade de vida de sua população. Em nosso caso, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conquanto tenha melhorado lenta e gradativamente nas duas últimas décadas, ainda revela uma enorme disparidade entre montante de riqueza e o bem-estar de nossa população.
No ranking do IDH mundial, o Brasil, comparativamente a 2010, melhorou míseros 0,003% e subiu apenas uma posição, ocupando agora o 84º lugar entre os 187 países considerados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O IDH é uma medida compilada anualmente e compara os dados entre os países de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida e natalidade e, nesta perspectiva o Brasil ocupa a 21ª posição América Latina.
O sexto lugar em relação ao PIB é uma posição muito relativa e deve ser vista num contexto maior porque geração de riqueza não significa necessariamente distribuição de renda. Por exemplo, na Inglaterra, que foi ultrapassada por nós, a renda per capita (o PIB dividido pela população) é de US$ 32 mil, enquanto no Brasil é de US$ 13 mil, isto é, um terço disso. Naturalmente, perdemos para os ingleses em todos os itens considerados no IDH.
Em relação ao chamado milagre brasileiro dos anos 70, em plena ditadura, o paradigma de crescimento hoje, pelo menos no discurso, mudou. Porém, a prática continua a mesma: concentração de renda e má gestão dos recursos públicos. Naquela época, Delfim Netto, economista que ocupou vários postos nos governos militares, dizia que era preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. De fato, o bolo cresceu, mas ficou nas mãos de poucos. Ainda lutamos contra essa herança e mal logramos remediá-la.
Um dos parâmetros para o julgamento do desenvolvimento humano é a alfabetização/educação. No primeiro item, dados da pesquisa do IBGE apresentados neste ano em relação a 2010, revelam uma situação vergonhosa: há 13,9 milhões de brasileiros analfabetos - e esse dado considera pessoas que não sabem ler a partir de 15 anos. Este contingente representa quase 10% da população. Em dez anos, este índice caiu apenas 4 pontos percentuais. A maioria dos analfabetos se encontra no Norte/Nordeste. Entre a população acima de 60 anos o valor percentual chega a 26% nesta condição.
Por evidente, este dado não toca noutro grave problema que envolve a educação, que é a qualidade do ensino. É certo que o país atingiu bons índices de escolaridade infantil. Mais de 97% das crianças de 7 a 14 anos estão na escola, mas ainda falta melhorar, e muito, o sistema de ensino e parar de gerar analfabetos funcionais. Os países que conseguiram vencer esta dificuldade aumentaram o percentual do PIB no ensino e melhoraram a capacitação dos professores, o que inclui salários, e mais horas de aulas/dia para os alunos. No Brasil, no entanto, os dias letivos são aumentados, mas as escolas diminuem as horas/aula diárias para satisfazer esta condição. Ainda são tímidos os sistemas de avaliação da qualidade das escolas públicas. E, a construção de escolas não traduz, necessariamente, melhoria na qualidade de ensino porque os parâmetros são outros.
Em 2010, em competição realizada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), instituição ligada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que acontece a cada três anos, o Brasil ficou apenas em 53º lugar entre os 65 países participantes. Os testes avaliam jovens de 15 anos nas habilidades de leitura, matemática e ciências. Nosso país ficou atrás de México, Chile, Uruguai e Colômbia. O primeiro lugar ficou com a China.
Também em 2010, o governo encaminhou ao Congresso o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) que prevê metas até 2020. A meta de investimento na educação em relação ao PIB é de atingir 7% até 2015. Atualmente, aplica-se apenas 5% e, com grandes discrepâncias na distribuição de recursos entre a formação básica e o ensino superior. Organizações, estudiosos do tema e professores entendem que estes percentuais não são suficientes considerando as metas de melhoria dos índices de qualidade e a ampliação da cobertura educacional.
Pesquisas indicam que o ideal seria o Brasil aplicar agora 10% do PIB em educação, sendo 8,5% na formação básica e 1,5% no ensino superior. Em recente pesquisa do professor Nelson Cardoso do Amaral - do programa de pós-graduação em educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG) - foi constatado que dobrar o atual patamar de investimento nos colocaria ainda abaixo da maioria dos países da OCDE com um investimento de apenas US$ 2,3 mil ano/aluno. A título comparativo, o Canadá investe US$ 7,7 mil, EUA US$ 8,8 mil, França US$ 7,8 mil, Portugal US$ 5,5 mil e Botswana US$ 2,2 mil.
Como se vê, um longo caminho ainda temos a percorrer. Entretanto, a Universidade Federal do Maranhão comemora o fato de contribuir para a valorização do conhecimento, do incentivo à pesquisa e a extensão, do aprimoramento de seu corpo funcional, tudo isso com olhos voltados para as necessidades deste Estado, para os sonhos de milhares de pessoas que todos os anos buscam uma vaga em nossos cursos com o objetivo de garantir uma vida melhor. Como lembra o grande mestre Paulo Freire, a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Mas, uma certeza nos leva para frente: a de que temos de ser ousados; virtuosos no sentido dado a esta palavra pelo sociólogo Pierre Bordieu. Ousados, com os olhos voltados para o futuro, com os pés fincados no presente e sem repetir os erros do passado. Um bom virtuoso!
Doutor em Nefrologia, reitor da UFMA, membro do IHGM, ACM e AMC
Publicado em O Estado do Maranhão em 01/01/2012
Mensagem Natalina
Que o espírito natalino de paz, amor, bondade, harmonia, solidariedade, fraternidade, generosidade e partilha permaneça em nossos corações por todo o ano de 2012.
Que sejamos irmanados pelo mesmo objetivo de continuar a trabalhar em prol de uma Universidade cada vez mais produtiva, atuante, eficiente e competitiva.
Feliz Natal para todos e que tenhamos um próspero Ano Novo com muita saúde, muitas conquistas e realizações.
Natalino Salgado Filho
Reitor
Mensagem sobre o Congresso de Nefrologia
A Universidade Federal do Maranhão se sente honrada com a realização da 9ª Conferência sobre a Prevenção da Doença Renal em Populações Desfavorecidas na América do Sul e Caribe e o 7º Encontro Brasileiro de Prevenção da Doença Renal Crônica. Desde 2006, quando aconteceu o I Encontro Nacional de Prevenção de Doença Renal Crônica, este evento faz parte do calendário oficial da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
É comum ouvir dos especialistas que a doença renal crônica é uma das epidemias do século XXI ao lado do diabetes, obesidade entre outras morbidades. Estima-se que apenas no Brasil há atualmente dez milhões de portadores de doença renal, considerando todos os estágios da doença. No mundo, dados aproximados indicam que há mais de um milhão de pessoas em tratamento renal substitutivo por falta de uma política pública de prevenção que minimizasse esse quadro.
O último censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia, relativo ao ano base de 2009, registra 90 mil pessoas em diálise. Números de tal dimensão parecem assustadores e, no entanto, mal conseguem revelar o crescimento exponencial da doença, pois se considera que é expressiva a quantidade de pessoas que ou não sabem que tem a doença e ainda se trabalha com subregistros.
No Brasil, a prevalência da doença renal crônica no último estágio, é de 41 casos por cada cem mil habitantes. Como se este dado não fosse suficientemente grave, associam-se a ele em equivalente nível de registros alarmantes, o Diabetes Mellitus com 8 milhões de portadores, 33 milhões de portadores de hipertensão arterial, 17 milhões de idosos e 16 milhões de pessoas obesas, todos eles fatores condicionantes e mesmo fundamentais no desenvolvimento da doença renal.
Considerando este quadro, há urgente necessidade de se estabelecer parâmetros epidemiológicos mais confiáveis no Brasil ou pelo menos mais aproximados da realidade para cujo desafio nossa estrutura de saúde, neste particular, não consegue atender pelo menos para minorar o problema.
Todos os envolvidos com este tema concordam que as causas são multifacetadas e com forte componente sócio-econômico, daí a oportuna temática a ser desenvolvida pela 9ª Conferência, que tanto a doença renal como as comorbidades associadas enquadram-se, não como doenças da pobreza, mas que atingem de maneira especialmente relevante às classes menos favorecidas, em virtude de terem menos acesso ao sistema de saúde, alimentação adequada, educação de alta qualidade, fator que é um aliado poderoso nas políticas de prevenção. Vários estudos têm mostrado a forte relação de fatores econômicos, incidência de DRCT, quantidade e qualidade dos serviços ofertados para tratamento como forma de controle de contenção da doença.
Somos a sétima economia do mundo e acostumamo-nos a ouvir que o Brasil é um país rico, o que é verdade, mas, ainda que se considere a recente ascensão social de milhões de brasileiros, mal nos deslocamos da indigência. Ainda estamos na 84ª posição no índice de desenvolvimento humano entre os 178 países que participam deste ranking. O Maranhão, figura na penúltima colocação entre os estados brasileiros no quesito desenvolvimento humano. Estamos, desta forma, irmanados duplamente àqueles que são o alvo dos debates deste evento. Nosso desafio é duplo, pedirá mais criatividade, dedicação e gestão administrativa e econômica regida pela ética e, por que não dizer, amor ao serviço público.
O Brasil tem hoje, o maior serviço público de saúde do mundo. E tem conseguido, a despeito dos grandes desafios que incluem suas dimensões continentais e a frágil distribuição e renda interregional, melhorar muitos dos índices de qualidade de vida. A Política Brasileira de Atenção ao Portador de Doença Renal, estabelecida a partir de junho de 2004, organizada de forma articulada entre o Ministério da Saúde, as Secretarias de Estado e Município da Saúde, é um exemplo de grande avanço, contudo, ainda há muito trabalho a ser feito.
Para os países em desenvolvimento, o fator econômico tem especial relevância na implantação de serviços suficientes e com qualidade. As estimativas sugerem que os custos com terapia renal substitutiva, entre os anos de 1991 e 2000, foram de US$ 470 bilhões, em todo o mundo, enquanto as projeções de gastos para a primeira década do novo século, chegaram a US$ 1,08 trilhão. Os custos com as diferentes modalidades de tratamento, também se apresentam como um fator impactante na economia dos países, comprometendo a disponibilidade da TRS para todos os pacientes.
Em muitos casos, a solução parece ser reduzir custos para poder ofertar mais procedimentos, o que na maioria das vezes compromete a qualidade do tratamento. Estudos brasileiros mostram que um paciente em hemodiálise custa R$ 54 mil reais, enquanto a diálise peritoneal não passa de R$ 51 mil reais. Esta economia depende da melhoria da gestão, esclarecimentos e política pública específica. Os gastos com tratamento da DRC no Brasil superaram R$ 1 bilhão no ano de 2004; esse valor representou quase o dobro do que foi gasto em 1999 (aproximadamente R$ 574 milhões). Por ano, o Ministério da Saúde gasta cerca de R$ 2 bilhões de reais apenas com o tratamento renal substitutivo e 89,4% dos recursos para tratamento dialítico são provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Estamos diante de um enorme desafio. Medidas urgentes para o controle do avanço das Doenças Renais precisam ser tomadas. A formação de profissionais de saúde, capazes de responder às demandas da coletividade, jamais deve ser esquecida em debates tais como os que serão realizados neste Encontro, e nada melhor do que fazê-lo dentro de uma Instituição Universitária, local onde este processo de formação se inicia.
Assim, medidas de prevenção devem sempre ser norteadas na qualificação da assistência e educação permanente dos profissionais da saúde envolvidos com o atendimento dos portadores de doenças renais ou populações de risco, em acordo com os princípios da integralidade e humanização. De tal forma que não poderíamos deixar de mencionar a importância da abordagem multidisciplinar em saúde, junto à população de risco, por meio de medidas que possam retardar a progressão da doença e, mesmo depois da evolução para estágios avançados da disfunção renal, ajudar o paciente a desenvolver uma auto-imagem positiva, a descobrir maneiras novas de viver dentro de seus limites e a desenvolver um estilo de vida que lhe permita assumir a responsabilidade por seu tratamento e auto-cuidado, enfim, ser um indivíduo ativo na sociedade em que vive.
Desejo pleno sucesso aos trabalhos que hoje se iniciam e espero que dos debates que serão desenvolvidos nasçam propostas para a solução dos problemas aqui trazidos. Um excelente encontro para todos!
Mensagem sobre os 45 anos da UFMA
Caros Servidores da UFMA
Tomado por um sentimento de grande entusiasmo e confiança no futuro é que vejo esta Instituição completar 45 anos. Apesar de todas as crises já enfrentadas, estamos vivendo hoje na UFMA um momento de retomada do otimismo, pela crença compartilhada de que é possível unirmos nossas forças para fazer dela uma grande Instituição.
É fato que nestas quatro décadas e meia esta Universidade cresceu e se expandiu muito, tornando-se uma Instituição sólida, respeitada, de muita credibilidade, de muito destaque e de grande importância para a sociedade maranhense, pois tem contribuído decisivamente na formação de profissionais competentes nas diferentes áreas do conhecimento. E são também esses profissionais egressos da UFMA os que vêm ocupando os cargos de maior destaque e da máxima responsabilidade pública na alta administração do Estado e do País.
Contudo, ainda é necessário fazer muito, muito mais. Neste momento de celebração das conquistas já realizadas, considero ser imprescindível refletirmos sobre o papel atual da Universidade, sobre o nosso papel enquanto profissionais da educação e sobre os rumos que devemos tomar, para continuarmos crescendo como Instituição pública que visa à excelência no ensino, na pesquisa e na extensão.
É importante que a Universidade não se preocupe apenas com a sua infra- estrutura, e com o seu crescimento quantitativo, mas, sobretudo, com o desenvolvimento de ações pedagógicas e culturais que dinamizem e revitalizem seus cursos, tornando-os mais capazes de repercutir efetivamente dentro e fora de seus muros. É fundamental que qualifique continuadamente seus professores e técnicos, e que estimule a pesquisa e as ações extensionistas, contribuindo qualificadamente com conhecimento e soluções, como apenas ela pode fazer, para o desenvolvimento do nosso Estado e para a melhoria da vida de nossa população.
Por fim, peço aplausos para a nossa UFMA, pelos 45 anos de uma trajetória heróica, de uma história de conquistas e de glórias. Parabéns para todos que fazem esta Instituição, enfrentando diariamente os desafios que se apresentam, buscando saídas para superar os entraves, dando a sua parcela de contribuição para que cumpra eficazmente a sua missão institucional e se torne um lugar cada vez melhor para estudar e trabalhar.
Natalino Salgado Filho
Reitor
PALMAS UNIVERSITÁRIAS 2011
Senhoras e senhores,
Boa noite.
Quero hoje começar minha fala discorrendo sobre um dos sentimentos mais nobres do ser humano, que é a gratidão. Os dicionários dizem que gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxilio ou um favor. De fato, exercer a gratidão é não esquecer o que de fato importa no passado, alegrar-se com o presente e encarar o futuro sem medo.
Um dos maiores teólogos de todos os tempos, Tomás de Aquino, já dizia que a gratidão não é apenas a maior das virtudes, é a mãe de todas as outras. Por tudo isso, este é um momento de agradecer primeiramente a Deus, autor e sustentador de nossas vidas e a todos que, com sua dedicação, tem frutificado tudo isso que hoje se vê na Universidade Federal do Maranhão.
Estamos felizes mais uma vez ao homenagear nesta ocasião com as Palmas Universitárias àqueles que muito contribuiram com seu trabalho, seus ideiais e seus sonhos para que pudéssemos ser o que hoje somos.
Enfatizo que cada um dos homenageados foi escolhido num processo democrático e transparente que contou com a participação de todos que fizeram questão de reconhecer a importância individual de homens e mulheres que se dedicaram para tornar este ambiente acadêmico melhor, mais rico, mais produtivo e mais inclusivo. Ao final, é a construção coletiva a partir do saber e da experiência subjetiva que nos torna maiores. Alguns estão sendo reconhecidos em vida e há ainda aqueles que, infelizmente, não puderam estar entre nós neste momento para desfrutar da alegria desta homenagem. Mas, com certeza, seus familiares que aqui estão guardarão com carinho e alegria este reconhecimento, para honra da memória do ente querido.
As Palmas Universitárias tem nome apropriado e fazê-lo publicamente é um dever àqueles que são dignos dela. Interessante é que no sentido literal, as folhas de palma também significam vitória e martírio. Neste momento solene e ansiosamente aguardado por todos nós, ficaremos apenas com o primeiro sentido, embora seja sabido que nenhuma vitória nasce sem sofrimento, sem dedicação e esforço. Não poucas vezes à custa do afastamento familiar, da perda de sono, do cansaço. E dizemos que todo este dispêndio só dá sabor ao que se consegue.
Mas não se constrói o presente nem se vislumbra o futuro sem reconhecer o nosso passado. E este é o momento também de lembrar aqueles que muito contribuíram para o nascimento de nossa universidade, como a Academia Maranhense de Letras. Aqui destaco o papel dos acadêmicos Clodoaldo Cardoso, Odilon Soares e Mário Meireles, cujas vozes ecoaram na defesa deste espaço de conhecimento. Foram eles que sugeriram aos demais confrades de sua época a doação do acervo de livros que a Academia havia recebido do Grêmio Recreativo Lítero Português para que fosse cumprida a exigência de uma biblioteca de nossa então incipiente universidade. Mário Meireles, inclusive, muito dedicou de seu talento e inteligência para as atividades laborais da Ufma. Também destaco a Arquidiocese de São Luís, na pessoa do arcebispo Dom Delgado, homem visionário, apaixonado pelas letras e pelas ciências. Para um reconhecimento ainda maior, informo que estamos trabalhando para resgatar essa história e assim prestar uma justa e merecida homenagem aos personagens que abraçaram a causa do conhecimento e sonharam um dia em legar uma universidade às outras gerações.
Com mais de quatro décadas de existência, a UFMA tem contribuído, de forma significativa, para o desenvolvimento do Estado do Maranhão, formando profissionais nas diferentes áreas de conhecimento em nível de graduação e pós-graduação, empreendendo pesquisas voltadas aos principais problemas do Estado e da Região, desenvolvendo atividades de extensão abrangendo ações de organização social, de produção e inovações tecnológicas, de capacitação de recursos humanos e de valorização da cultura.
O Padre Antonio Vieira, em “Os Sermões”, disse que o melhor modo de pedir é agradecer. E é com este espírito que os convido não só a pensar, mas a almejar a excelência em cada ato que comporá a construção continuada da UFMA. Se há uma coisa que temos com fartura é espaço para crescer em produção acadêmica, em qualidade de ensino, na ampliação de cursos, na relevância tecnológica para o Estado do Maranhão e Brasil, na inclusão social que marca cada uma de nossas ações. Nada pode nos deter, exceto nós mesmos. O agradecimento a cada uma destas realizações é também um pedido para que possamos juntos celebrar novas vitórias.
Vivemos um momento auspicioso e muito nos alegra ao constatar que a Universidade Federal do Maranhão é uma das protagonistas desse novo cenário que nosso Estado vive, tal como um luzeiro a apontar o caminho daqueles que navegam pelos mares da mudança.
Recebam minhas congratulações, em especial aos que hoje foram distinguidos com as Palmas Universitárias, mas também aos demais que aqui se encontram e representam todos os outros servidores e professores da UFMA. Obrigado ainda aos familiares e amigos que vieram prestigiar esse momento tão importante, pois a alegria é plural, tenham certeza. Comemoramos as conquistas juntos, na certeza do merecimento que a todos nos orgulha. Permitam-me encerrar com uma estrofe do magnífico poema de Thiago de Melo. Pensem nele com um lema e dístico desta nova etapa que temos diante de nós: “Por isso é que agora vou assim / no meu caminho. Publicamente andando / Não, não tenho caminho novo. / O que tenho de novo / é o jeito de caminhar. / Aprendi / (o que o caminho me ensinou) / a caminhar cantando / como convém / a mim / e aos vão /comigo. / Pois já não vou mais sozinho.”
A TODAS E A TODOS, MEU MUITO OBRIGADO.
DISCURSO - SÃO LUÍS 14 OUTUBRO 2011
Saudações iniciais,
Senhoras e Senhores,
É com muita honra e satisfação que venho esta noite à presença de toda a Comunidade Acadêmica da Universidade Federal do Maranhão para a solenidade de entrada em exercício no segundo mandato como Reitor da UFMA.
Em meu discurso em Brasília, no último dia 11, pude manifestar minha gratidão e meu compromisso na presença do Ministro de Estado da Educação, a quem a Presidência da República encarregou de formalizar minha posse no cargo. Quero aqui reiterar o que disse durante a minha posse em Brasília, e dirigir a todos o meu mais profundo agradecimento, pela confiança novamente em mim depositada. A ocasião, é propício também para que eu reafirme minha disposição integral à causa de nossa Universidade, em particular, e à da Educação, em geral.
Penso que nunca é demais agradecer. Pois, isso nos coloca no espírito a necessária humildade e a consciência dos próprios limites. Agradecer às bênçãos de Deus, o carinho de meus familiares, às equipes que comigo suaram a camisa, aos dirigentes universitários pela compreensão das necessidades mais urgentes, aos professores e técnico-administrativos pela capacidade de superação, aos servidores terceirizados pelo trabalho muitas vezes silencioso, aos alunos e às representações estudantis pelas críticas construtivas, mas, sobretudo, pela crença em nossa Universidade e pela persistência nos estudos.
Cumpre também agradecer as oportunidades que a gestão governamental vem proporcionando à Educação brasileira desde 2002. Os recursos, programas e ações desenvolvidos nos permitiram chegar onde hoje estamos. Cabe agradecer ainda aos parlamentares da bancada maranhense no Congresso, aos dirigentes ministeriais, às autoridades constituídas, aos intelectuais e acadêmicos do Maranhão, à comunidade empresarial e à classe política de nosso Estado pelo reconhecimento e pelas parcerias estabelecidas. Todos, de alguma forma, são também responsáveis pela impressionante transformação e pelo vigoroso crescimento da nossa Universidade nos últimos quatro anos. Todos confiaram em nossa capacidade de gestão e, dentro de suas possibilidades, têm nos apoiado na luta contínua e árdua que é a de levar a UFMA à sua maturidade institucional e ao patamar da excelência na produção de conhecimento.
Diante do Ministro Haddad, em meu discurso de posse, tive a oportunidade de apresentar um breve balanço das ações e realizações de minha primeira gestão. Dele ouvi os mais estimulantes elogios, em um reconhecimento pelo trabalho realizado. Um reconhecimento que estendo, naturalmente, a todos aqueles a quem agora agradeço publicamente.
Por esse motivo, não creio ser necessário repetir aqui os muitos números, dados e indicadores que transformaram radicalmente a nossa Universidade, pela ampliação de campi, cursos de graduação e pós-graduação, presencialmente e a distância, em caráter regular ou especial; pelo crescimento dos espaços de atuação, dos programas acadêmicos, pelo volume das reformas e construções, aquisições, pelo ritmo das nomeações e contratações etc.
Fizemos muito, é verdade. Todos são testemunhas disso, pois, entre outras coisas, a poeira das mais de 100 obras concluídas ou em andamento ainda cobre os nossos rostos. Mas todos também sabem que uma Universidade é uma obra sempre inacabada. E, justamente por isso, muito mais ainda há que se fazer. Continuaremos, pois, em nosso segundo mandato a desenvolver todos os programas e projetos que estão em andamento e, é claro, ampliaremos ao nosso máximo possível os esforços para a execução de novos programas, ações e projetos.
Iremos fortalecer e fomentar os instrumentos de assistência estudantil, de forma a combater os problemas recorrentes da evasão e da repetência. Aperfeiçoaremos nossos mecanismos de avaliação, de forma a garantir os melhores índices de sucesso acadêmico. Promoveremos a consolidação da dimensão da pesquisa, da extensão e do empreendedorismo, como formas privilegiadas de aportar soluções e recursos para nosso Estado. Avançaremos na dimensão da internacionalização, acreditando que o intercâmbio é uma estratégia excelente para a superação das desigualdades regionais. Consolidaremos o processo já exitoso de nossa interiorização, exercendo nossas principais vocações para o que reclama o momento nacional: a formação de professores e de graduados em áreas tecnológicas e de engenharias. Continuaremos a expansão. E é enganoso imaginar que a expansão implica a perda da qualidade. Mas é imprescindível trabalhar agora no aprofundamento da qualidade.
Todas as obras pressupõem uma base, um pilar. Tendo encontrado uma casa praticamente desmoronada, a minha maior oportunidade foi e continuará sendo a de trabalhar na reestruturação da nossa Universidade. Se juntos conseguirmos estabelecer os bons fundamentos e bases da UFMA, então teremos alcançado a realização mais importante de todas.
Todo projeto, especialmente um projeto tão ambicioso e valioso, como é o de uma Universidade pública, para um país com tamanhas desigualdades, requer os mais sólidos fundamentos e o norte mais aprumado. Um eixo de desenvolvimento que se expande e que se amplia, mas que não deve ser mudado, sob pena de desaparecimento da própria instituição. E é essa a maior contribuição que gostaria de deixar após meus oito anos de trabalho como Reitor.
Depois de quatro anos de tantas realizações, é visível o resgate da auto-estima institucional dos membros de nossa Comunidade. E é a presença clara dessa auto-estima que me leva a conclamar a todos, neste momento, a consolidarmos juntos o norte correto para a nossa Universidade. E que norte é esse?
Refiro-me, sobretudo, à dimensão fundante de sua autonomia constitucional. Devemos aprofundar o caráter maior da gestão colegiada de nossa Universidade, fortalecendo suas decisões democráticas sem, contudo, resvalar em corporativismos inaceitáveis. Para isso, é necessário trabalharmos nas definições normativas mais estruturantes, das quais derivarão as nossas melhores práticas cotidianas, para um futuro próximo ou distante.
Como disse Norberto Bobbio, o grande valor da democracia repousa em duas características: a substituição periódica – e sem sangue – dos governantes, e a existência de regras claras e consensuais, para um jogo social mais justo e igualitário.
Pela escolha de quase 80% dos membros da UFMA, aqui me apresento para o início de um segundo mandato e, portanto, a substituição ou recondução tem sido e continuará sendo feita de forma democrática. Mas creio que temos a oportunidade ímpar de avançar no aperfeiçoamento das nossas regras estatutárias e regimentais, sem as quais colocamos em risco a democracia e, com ela, a autonomia universitária. Autonomia que, não podemos esquecer, pertence, em primeiro lugar, à Universidade, e não às suas partes consideradas isoladamente. Nesse sentido, tanto a autonomia quanto a democracia entram em risco de desparecimento, quando ocorre um predomínio da parte sobre o todo.
Tal aperfeiçoamento deve ser capaz de garantir que a Universidade Federal do Maranhão seja uma instituição efetivamente pública, eficiente e de qualidade social. Nossos quadros devem primar pela ética profissional e pela postura republicana, que não admite privilégios ou discriminações. Devem estar abolidas todas as formas de fisiologismo e patrimonialismo, cânceres sociais em qualquer circunstância. Devemos reafirmar o valor da inovação como estratégia de superação das dificuldades e como meio de alcançar novas soluções para velhos e novos problemas. Devemos aprofundar o respeito à diversidade e trabalhar pela inclusão visando à justiça social.
Portanto, conclamo e convoco a todos para continuarmos nossa luta por uma Universidade Federal excelente, do e para o Maranhão e para o Brasil. Uma Universidade grande, forte, luminosa. Uma instituição de referência e um bem público de valor inestimável para a nossa gente e para a nossa região.
MUITO OBRIGADO!
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DISCURSO DE POSSE EM BASÍLIA 11 OUTUBRO 2011
Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Educação,
Prof. Dr. Fernando Haddad,
Com grande júbilo e honra, vivencio o dia de hoje, tão importante em minha vida como médico, professor e servidor público que tenho sido há trinta anos. Por indicação de Vossa Excelência, a Presidência da República confirmou a recondução de meu nome como Reitor da Universidade Federal do Maranhão, acolhendo democraticamente a escolha feita por quase 80% dos membros de nossa Comunidade Universitária, numa consulta legitimada por nosso Conselho Superior.
Ao tomar posse do cargo para o segundo mandato de Reitor da UFMA, pelas mãos de Vossa Excelência, me vêm duas simples palavras: gratidão e compromisso.
Meus primeiros agradecimentos são para Deus, que me guia, e para minha família, que me sustenta com grande afeto e dá pleno sentido às minhas lutas diárias. Em seguida, quero agradecer vivamente à Comunidade Acadêmica da nossa Universidade, que em mim depositou sua confiança, primeiro, em 2007, e agora, em 2011. Tudo tenho feito para não decepcioná-la, antes disso, para surpreendê-la positivamente, dando-lhe de mim mais até do que eu próprio pensei ser possível. Sou muito grato, em particular, à equipe valorosa que comigo trabalha para construir diuturnamente a excelência de nossa Universidade, para colocá-la, de fato e de direito, como uma instituição de referência na produção de conhecimento em nosso País.
Quero agradecer a toda a Representação Estadual do Maranhão no Congresso Nacional, os deputados e senadores, que, independentemente da cor partidária, têm honrado seus compromissos com a educação de nosso Estado, destinando emendas orçamentárias e promovendo articulações importantes e necessárias para o nosso desenvolvimento institucional.
Desejo ainda expressar minha gratidão pública, como cidadão brasileiro, a este grande Presidente, que foi Luiz Inácio Lula da Silva. Sob sua liderança, o Brasil encontrou, finalmente, após mais de 500 anos, um trilho seguro para o seu pleno desenvolvimento e veio a conhecer uma auto-estima que, chegamos a imaginar, fosse irremediavelmente impossível. Naturalmente, essa gratidão não é somente minha: também a Universidade Federal do Maranhão expressou-a claramente, quando concedeu a Lula o título de Doutor Honoris Causa.
A rigor, não preciso repetir aqui os seus muitos méritos. Gostaria de destacar apenas um: Lula teve a genialidade de se cercar de homens de visão e, principalmente, de colocar os destinos da educação nacional sob os cuidados de Vossa Excelência.
A consistência e qualidade do projeto político educacional do MEC foram, igualmente, reconhecidas pela UFMA, quando lhe outorgou o título de Professor Honoris Causa.
Manifesto a Vossa Excelência, mais uma vez, minha gratidão pela grandeza, firmeza e clareza de propósitos, com respeito à educação deste País. Pela habilidade de negociação e pela largueza de visão, que se traduziram em tantos e tão variados programas e ações, todos igualmente valiosos, desde o Reuni até o SISU, do Prouni ao Ciência Sem Fronteiras, da implementação efetiva do SINAES ao PIBID, do Pronatec à Expansão II. Em particular, Ministro, enquanto testemunha privilegiada das providências que vêm sendo tomadas a respeito dos Hospitais Universitários deste País, sou grato pela sensibilidade, determinação e empenho de Vossa Excelência no trato das imensas necessidades e problemas por que passam esses centros de ensino, pesquisa, extensão e assistência em saúde. Tenho a certeza de expressar, aqui, também os agradecimentos de toda essa comunidade de profissionais de saúde que, doravante, adquirem esperanças renovadas e ânimo fortalecido.
Considero importante registrar ainda a minha gratidão à ANDIFES e aos colegas reitores. Em sua convivência, tenho tido um aprendizado rico e profícuo. A essa vigorosa organização, de importância nacional e internacional, de combatividade cívica e postura republicana, agradeço pela amigável acolhida e pelos espaços de discussão altamente qualificada.
De fato, muito ainda teria a agradecer. Contudo, por se tratar de uma ocasião protocolar, limito-me aos agradecimentos mais essenciais.
Por outro lado, não posso tornar completo meu discurso de posse sem professar, além da gratidão, o meu profundo compromisso com a educação. Tenho a clareza de que, hoje, a Universidade só tem sentido se for capaz de colocar o seu patrimônio de ciência e de cultura ao serviço da construção de um Brasil economicamente forte e socialmente justo.
Este é um compromisso que assumi mais claramente há quatro anos, quando iniciei meu primeiro mandato de Reitor. Foram duas as linhas mestras que organizaram o meu esforço: a primeira foi reconstruir e recompor, física e institucionalmente, a Universidade que encontrei quase destruída, e limitada ao campus-sede e a poucos cursos no interior do Estado; a segunda foi construir a presença efetiva, real e dinâmica da Universidade no interior do Estado, por meio da instalação plena de sete campi, aos quais se somará, em breve, o oitavo, em Balsas, no coração do triângulo sul do Estado.
O compromisso assumido se traduziu num duplicar da Universidade Federal do Maranhão. Passamos de 3 para 8 campi, de 43 para 73 cursos de graduação, de 12 para 30 cursos de pós-graduação stricto sensu. Saltamos de 11 mil para 22 mil alunos em situação presencial e de quase zero para mais de dez mil alunos em modalidades especiais e a distância, sobretudo no interior do Estado e principalmente na formação de professores. Concluímos, e continuamos a construir, ampliar ou reformar espaços físicos, incluindo prédios de aulas, laboratórios, bibliotecas, auditórios, muros protetores, vias de acesso e áreas de vivência. Adquirimos equipamentos e sistemas para melhorar o atendimento às demandas da comunidade. Realizamos concursos para mais de quatrocentas vagas de professor e para mais de duzentas vagas de servidores técnico-administrativos.
Revimos e melhoramos nossos projetos institucionais, incluindo as novas resoluções sobre estágio e sobre planejamento acadêmico e, principalmente, avançamos ousadamente com a criação das mais modernas licenciaturas do País: as nossas licenciaturas interdisciplinares por competências, que são uma verdadeira revolução pedagógica, pelos ótimos frutos já colhidos. A elas, em breve irá se somar nosso bacharelado em ciência e tecnologia, a base de primeiro ciclo de nosso tão sonhado instituto politecnológico.
Em nosso segundo mandato, fortaleceremos a assistência estudantil, aperfeiçoaremos nossos indicadores de qualidade, combatendo a evasão e a repetência, e trabalharemos pela valorização do corpo docente e técnico-administrativo.
Ministro, reitero nesta solenidade o compromisso já assumido anteriormente com a inovação e a inclusão social, que são o lema de minha gestão. À frente da Comunidade Universitária da UFMA, não abdicarei jamais da autonomia constitucionalmente determinada, sem a qual não existe universidade. Mas afirmo também que a autonomia só poderá servir como instrumento de inovação em uma universidade que tenha se decidido pelo compromisso com a inovação. E uma universidade que não escolhe inovar estará condenada a desaparecer como universidade.
Ao escolher-me para um segundo mandato, a UFMA escolheu inovar, optando por buscar as soluções mais eficazes para nosso Estado e nossa região, os quais ainda se encontram em situação socialmente adversa. Por isso mesmo, a pesquisa e a investigação na UFMA cresceram mais de trezentos por cento, nesse período.
Porém, cumpre lembrar que, às vezes, a maior inovação de todas é fazer o que de mais óbvio deve ser feito: cuidar da educação de todos com a máxima responsabilidade. Não sabemos onde estão os maiores talentos, e é por isso que a todos e a cada um devem ser dadas as melhores oportunidades de uma formação superior de qualidade. É por isso que a política educacional do Estado brasileiro deve ser cada vez mais fortalecida para responder ao legado negativo de nossa história social, marcada por grandes desigualdades.
São estas as minhas palavras, Ministro: gratidão e compromi voltar |